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domingo, 9 de junho de 2013

Geleia

Hoje estou que não me entendo.
Apetece-me ser tudo o que não posso ser, porque no mundo dos civilizados não podemos ser o que queremos, temos de ser o que querem que sejamos.
Estou a dias de mais um aniversário e cada vez que acrescento mais um à lista parecem-me cada vez menos penosos. Envelhecer faz-me bem :) Porém, estou numa fase tão pouco produtiva da minha existência que me sinto um inútil vegetal!!!!
Ah! apetece-me ver comédias parvas. E apetece-me torradas com geleia de morango.

Até um dia destes, um em que já me entenda.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Day 30 - O Fim

Pois é, pois é... o desafio chegou ao fim!
E como é o fim vou aldrabar as coisas.


Day 30 – Looking Back On Your Answers, What Is Your All Time Favourite Song?
Para responder à questão do dia é só voltarem ao primeiro dia deste desafio. 


Hoje é um dia especial. Dia de Liberdade. Dia 25 de Abril.
Tal como disse vou aldrabar o jogo e hoje o musicol é dedicado à LIBERDADE!


E já sabem, "25 de Abril Sempre!"



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Day 11 - 80's fever

Day 11 – For You What Song Defines The 80’s?

Epá esta é das difíceis...muito difíceis.
Se, em termos musicais, tivesse que eleger uma década, seria com toda a certeza a década de 80!
Se por um lado esta década é fértil em pérolas que facilmente chegam a tesourinhos deprientes como:






ou

ou (um grande guilty pleasure )


Por outro lado é detentora de grandes marcos intemporais da música internacional:
(atenção que o nível de piroseira aqui não vale)










Década onde as divas eram:







(ok, já chega de vídeos. Podia estar um dia a publicar) Já para não falar nas grandes bandas sonoras como:

Kenny Loggins - Footloose em Footloose;
Berlin - Take my breath away em Top Gun;
Patrick Swayze - shes like the wind em Dirty Dancing;
Fire Inc. - Nowhere Fast em Streets of fire.


Definitivamente se eu tivesse vivido os anos 80, teria sido uma grande maluca, mas o que é certo é que não me consigo decidir na música para responder à questão inicial.

Talvez...e se fosse esta montagem?!










É...pode ser,mas sabem que mais? Acho que ainda não meti aqui todos os 80's mega hits que queria.
Fica para a próxima.
beijocas :)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Day 9 – ou o Dia Petiz*

Oi pessoas bonitas!

Hoje é um dia petiz porque uma grande amiga celebra mais um aniversário. Parabéns Ana :)
É dia petiz porque um grande do Cinema, prematuramente falecido, estaria hoje de parabéns. É grande tal como a sua pequena obra tornando este dia petiz.
E é dia petiz porque o dia #9 de desafio remete-me à querida infância, ora vejam :

Day 9 – What Is The Earliest Song You Can Remember From Your Childhood?

Sinceramente estou indecisa entre esta:





esta:



ou estas:


Seja como for, será uma destas ou de muitas outras dos clássicos da Disney ou canções infantis como "Joana come a papa", " Atirei o pau ao gato" e outras intemporais :)

*Dia Petiz é como me lembro de chamar, quando também eu era petiz, aos dias que por um ou outro motivo eram especiais.

Beijocas *

domingo, 1 de abril de 2012

Day 6

Domingo:
Dia de preguiça, de ronha, de tédio...
e de dia #6 do desafio musical :)
So...
Day 6 – What Song Do You Play When You’re Angry?


sábado, 31 de março de 2012

Day 5

Sábadooooooooooooo!

Para um grande dia, uma grande música:

Day 5 – What Song Do You Play When You’re Feeling Sad?




domingo, 5 de junho de 2011

Finalista.

Aproxima-se a passos largos o fim de mais um ano lectivo. Acontece que este não é apenas mais um. Este é o ano em que sou finalista. Este é o ano em que fico licenciada. Este é o ano que marca o fim de uma tão amada vida académica. Este é o ano que marca o ínicio de uma nova etapa da minha vida.

Há nos simbolismos acadámicos a tradição de se benzerem as fitas e isso acontecerá daqui a exactamente 20 dias.
É, para isso, preciso que sejam entregues fitas aos amigos, professores e familiares que nos são mais queridos e sejam também recolhidas para que no dia da benção estejam expostas na nossa pasta de finalista como se de medalhas se tratassem. É, também, costume que seja escrita por nós uma dessas fitas para que seja depois queimada, em memória da efémera vida académica que está prestes a definhar mesmo na nossa frente.

Decidi, pois, que esta será a semana destinada à queima da minha fita. Gostaria que ela fica-se perpetuada em algum local que não a minha memória, e este parece-me bem!
Fica, então, aqui aquela que estará no final da semana reduzida a cinzas:

"Citando Francisco Otaviano em seu poema «Ilusões da Vida»:

«Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida... não viveu!»

Ao cabo de três anos de uma luta por mim mesma espero que depois da tempestade, seja a vez da bonança e que o horizonte não muito longínquo me traga aquilo que quero, e que na verdade não é muito mais do que aquilo que tive até aqui: força para me erguer, para não ceder, para não desistir quando os ferimentos de uma batalha começam a ser demasiado duras; persistência para continuar a correr pelos meus sonhos e lutar uma luta que cada vez mais se afigura maior.
Destes três anos ficam todos aqueles que pelas suas formas, maneirismos e pensamentos me conquistaram, ficam os momentos que com eles passei e tudo o que aprendi com eles.
A todos eles desejo tudo o que para mim também desejo!
Aos outros, que me apoiaram e ampararam nestes dias de loucura, fica o meu mais profundo agradecimento!

SOU DE VOCÊS!

A mim...
A nós, aos que gostam de nós e o resto...
...que se F#)@!»

segunda-feira, 28 de março de 2011

O rapaz de casaco azul

São 8:12 da manhã de um dia tão normal como qualquer outro.
Vou no autocarro que me leva à primeira manhã de trabalho desta semana, não sem antes me roubar três quartos de hora, sentada a ouvir música, a ver passar os transeuntes desta cidade que às segundas de manhã se torna menos simpática, pelo menos para mim.
Ele entrou, mais ou menos a meio do percurso, sentou-se no lugar que impreterivelmente se reserva a ele quase sempre: o lugar exactamente à minha frente. Vem com um ar cansado e menos simpático - parece que a segunda -feira também o afectou - mas mantem-se a intensidade naqueles dois olhos que parecem um poço sem fim de amargura.
Gosto de observar as pessoas. Gosto mais de pensar que estou a fazer um estudo sociológico, em vez de estar apenas a satisfazer a minha voraz curiosidade que não se cala se não lhe faço a vontade. Observo-o repetidamente, tal como o fiz em todos os dias da semana passada e quase desde o inicio do mês...
Trás o mesmo casaco azul de sempre. Está cabisbaixo e pressiona as alças da mochila como quem quer descarregar toda a energia negativa que acumulou ao longo destes (23/24??) anos. Que raio! Quem havia de merecer tão malfadada vida? É praticamente um miúdo e já parece que carrega uma cruz do tamanho do mundo. Não é...não me parece justo...
Chegou ao fim da sua viagem. Despede-se com um piscar de olhos e sai. Não sei sequer o seu nome. Nunca trocamos uma palavra, mas não interessa, porque ambos sabemos que nos vamos encontrar amanhã, no mesmo sítio, à mesma hora.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Coisas que me irritam (Verão)

A Natureza é de todos. Por isso e por mais umas quantas razões, que talvez não pesem tanto como esta, acho que devemos cuidar dela, tal como eu tento fazer com pequenos gestos...
Mas não, não venho aqui falar de desenvolvimento sustentável, ecologia e outros temas. Não é que não sejam importantes, é só porque hoje não me apetece.
Comecei por dizer que a natureza é de todos porque uma coisa que me irrita solenemente, faz-me urticária, espécie, deixa-me com os nervos em franja, e extremamente exaurida são aquelas pessoas que não têm mais do que fazer ao seu dinheiro e por isso têm praias...privadas!
Para mim essa realidade distante é ridícula. Até que meto o meu pé numa praia e desejei também eu ter uma praia privada. Ele são gritos de pessoas histéricas, são bolas que param a um palmo do meu nariz, é areia que atiram para cima (e como eu tenho vontade de esganar essas almas)...
E é por estas e por outras que praia me irrita. É isso e o facebook que não me deixa alterar a foto de perfil...


sexta-feira, 30 de abril de 2010

3 anos a balanço

Olá a todos!
Neste 3º aniversário deste blog é tempo de balanços:
O que significam 3 anos? É muito ou pouco tempo? Vejamos...
Na noite de 30 de Abril de 2007 em que encetei, ainda que a medo, este espaço aquilo que eu queria era poder escrever o que me desse na real gana sem ter que passar pelo crivo, mais ou menos, apertado da censura (que sentia à época por parte daqueles que me rodeavam). Longe estava de pensar que em apenas 3 anos ia mudar tanto e as razões que me levaram a criar este blog não fariam mais sentido.
Com o tempo, com todas as mudanças, este passou a ser só um dos meios que encontrei para dar asas aos meus pensamentos, aos anseios e devaneios, aos gostos e opiniões ou pura e simplesmente um depósito de sentimentos, bons ou maus, que por não saber o que fazer com eles percebi que se os divulgasse mais facilmente os conseguiria organizar...
3 anos e 318 post's depois, só tenho a agradecer por estarem desse lado!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"A Single Man" e Economia

Como é que estão os meus leitores favoritos? O da esquerda tem uma nódoa na camisa, é melhor trocar.
Adiante.
O meu dilema académico tinha, aparentemente, chegado ao fim mal acabei o exame de economia.
Aparentemente dizia eu...
Assim que li a sinopse do filme "A Single Man" disse para mim: "Tenho que ver este filme".
As minhas experiências de idas ao cinema sozinha não foram muito felizes, vai daí tinha que arranjar companhia para o ver e por isso tornei-me na criatura mais chata à face da terra até que o Jonas e a Sofia fizeram o favor de me acompanhar ao cinema. A quem não é homofóbico aconselho vivamente. Para quem é, arrisca-se a perder dinheiro e a sair a meio do filme ou pode ser que de repente saiam de lá com uma mente mais iluminada.
O filme fez-me recordar vivências boas e menos boas, através de coincidências entre o tela e a vida real e teve o sabor doce de uma tarde bem passada no cinema em boa companhia.
Teria sido perfeito, se a meio do filme não recebesse uma notícia que amargou a minha boca: "Cati, lamento mas já não estás de férias. Tens oral de economia" disseram-me. A primeira reacção foi: Não quero. Mas logo depois caí em mim, já sei que o tem que ser tem muita força e nos próximos dias vou precisar de muita força e paciência.
Se e vir livre de economia até vou jurar que é mentira.

Até à próxima. Beijinho no canto dos olhos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Mais Louco Carnaval de Lisboa é no Politeama, com "A Gaiola das Loucas"

No dia do enterro do entrudo a grande questão é: E como foi esse Carnaval?
Com muitos balões de água e porcarias à mistura; Máscaras e acessórios pindéricos e afins??
O meu foi com muitas purpurinas e plumas, mas isso agora não interessa nada...ou até interessa. «Porquê?» Estão vocês a perguntar, suas almas curiosas.
E eu respondo «Porque fui ver "A Gaiola das Loucas" ao Politeama!» E agora vocês morrem de inveja e com razão, porque é de facto um grande espectáculo.
Para quem ainda não viu vá a correr comprar os bilhetes para ver, quem já viu deve compreender o porquê de não ser possível passar para um texto a grandiosidade do musical do La Féria.
Estou mesmo extasiada.
Os bailarinos são brilhantes, as canções fantásticas e super bem interpretadas. Carlos Quintas num papel fenomenal assim como Joel Branco que muito bem representa a pronuncia da cidade "Imbicta".
Mas é José Raposo quem recebe a minha maior ovação já que foi também quem me faz ir às lágrimas. No papel de Zázá, fez-me compreender o porquê do meu fascínio pelos espectáculos de transformismo. O porquê da minha admiração profunda por aqueles homens que se transformam em autênticas senhoras.
José Raposo mostra-se como um brilhante, extremamente brilhante actor!
A sátira politica está, também, presente. E assim se prova como um drama e comédia podem andar de mãos dadas.
Palavras para quê?! "Somos o que somos"!
Até para o ano, quando o Carnaval ressuscitar porque hoje enterra-se o Entrudo.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Eu amo você ;)

Como já devem saber, sou pouco dada a calendarizações de sentimentos, pelo que estas "datas especiais" passam-me bem ao lado.
Mas, eis que chega um dia especial.
Não, hoje não é dia dos namorados, HOJE É DIA DE S. VALENTIM. É dia de dizer às pessoas de quem gostamos, que gostamos delas, que as amamos, que as adoramos!
E por isso, meus amigos, meus queridos, meus mais-que-tudo:
GOSTO MUITO DE VOCÊS.
Do jeitinho que cada um tem, com todos os defeitos e virtudes, com todos os sorrisos e todas as lágrimas, nos bons e nos maus momentos. E nem a morte nos há-de separar!
Viva ao amor, sempre!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

No dia 30 de Janeiro

Descobri que...
... numa viagem entre Lisboa e o Porto se podem percorrer distâncias bem maiores;
... daqui a uns tempos quero conhecer a Turquia;
... os centros comerciais da Noruega fecham às 6 da tarde;
... afinal, por vezes podemos aceitar coisas de estranhos;
... os portugueses não são tão hospitaleiros como se julgam;
... a probabilidade do Sporting de Braga ganhar a liga da europa é bastante baixa;
... os tradutores dos manuais de instruções de electrodomésticos têm muito trabalho;
... do último andar do edifício mais alto de Istambul se vêm nuvens aos nossos pés;
... os telhados das casas em Portugal nem sempre se adequam ao tipo de clima...
Foi um perfeito estranho que ocupou o lugar nº 10, o lugar mesmo ao lado do meu.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Dilema Académico

Do somatório entre as horas de sono que eu não dormi com o estudo privilegiado da primeira parte da matéria o produto final foi tudo menos bom. Aliás é negro o cenário que tenho na minha frente.
Não fosse isso suficiente, encontro-me ainda no meio de um dilema académico:
Dado que só posso levar à época de recurso 2 cadeiras e tenho 3 cadeiras em atraso qual delas devo preterir em função das outras?
Decidi que Teorias Sociais Contemporâneas (TSC) tenho que fazer e não me admito a mim própria deixar esta cadeira em atraso. A questão agora é: Economia ou Introdução à Análise de Dados (IAD)?
Perante este negro presságio só não choro porque a menina aqui em baixo pede muito...

domingo, 10 de janeiro de 2010

J&M: o nó!


Falta pouco tempo para darem o nó!

A ele conheci-o quando ainda usava o cabelo curtinho e suave como algodão, fazendo as delicias das meninas e dele, já que todas corriam para lhe fazer "cafuné"! E já lá vão quase seis anos!

Agora, as meninas continuam a suspirar por ele, quando passa no seu jeito desligadão. E o cabelo, esse já não é tão suave para fazer cafuné, mas é impossível resistir ao charme das suas rastas!

Mas, meninas ele já foi fisgado!

Ela, conheci-a quando ao entrar numa pastelaria com um amigo me disseram "esta é a namorada do Jonas".

E agora, depois de 4 anos juntos, os meus hipongas preferidos vão dar o nó e eu não vou lá estar!

Resta-me desejar-lhes as maiores felicidades do mundo!

Ao Jonas e à Mari, que é como quem diz ao João e à Mariana um grande viva :)

sábado, 9 de janeiro de 2010

BSO 2009

Orá cá está a BSO '09 que o grupinho das noites maléficas dedicou aqui à menina:

(por ordem alfabética)


  1. André Moreno:Womanizer - Sliimy
  2. Gabriel Silva: Angel - Jon Secada
  3. João Ferrão (Jonas): Sunshine - Patrice
  4. J.Nuno Ferreira (Dandy):Dreams - Van Hellen
  5. Mariana Magrisse:Ponto de Luz - Sara Tavares
  6. Marta Gouveia:Destiny - Zero 7
  7. Rafael Martins (Rafa):Blame It On The Girls- MIKA
  8. Samuel Leal:Wonderful - Gary Go
  9. Tânia Conceição:Red - Daniel Merriweather

Este ano foi caso para dizer que "tarda, mas não falha". Obrigada a todos ;)

E porque nos fazes falta, agora e sempre Together in Electric Dreams - Phil Oakey (Human League), RSF*

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O tipo de coração

"Há muitos tipos de corações. Há corações pequenos e tímidos, há corações grandes e abertos, há corações onde é preciso meter requerimentos de papel azul e selo de garantia para abrirem as portas e outros cheios de janelas, frescos e arejados. Há corações com trancas, segredos e sistema de alarme que são como cofres de bancos. Corações sombrios e desconfiados, com fechaduras secretas e portas falsas. Corações que parecem simples, mas quando se entra lá dentro, espera-nos o mais perverso dos labirintos. E há corações que são como jardins públicos, onde pessoas de todas as idades podem entrar e descansar. Há corações que são como casas antigas, cheios de mistérios e fantasmas, com jardins secretos e sótãos poeirentos, carregados de memórias e recordações e há corações simples e fáceis de conhecer, descontraídos e leves, sempre em férias como tendas de campismo. Há corações viajantes, temerários e corajosos, como barcos à vela que nos parecem bonitos ao longe, mas que nos deixam sempre na boca o sabor amargo de nunca os conseguirmos abarcar... Há corações missionários, despojados e enormes. Há corações que são paquetes de luxo, onde o requinte é a palavra-chave para baterem... Há corações que são como borboletas e voam de um lado para o outro sem parar, numa pressa ansiosa de viver tudo antes que a vida se acabe. Há corações que são como elefantes do zoo, muito grandes, pacíficos e passivos que aceitam viver limitados pelos outros e que até tocam o sino se os tratarmos bem e lhes dermos mimos e corações aventureiros, sempre prontos para partir em difíceis expedições e se ultrapassarem a si mesmos. Há corações rebeldes e selvagens que não suportam laços nem correntes, corações que correm tão depressa como chitas e matam como leoas, e depois há corações gnus, que sabem que vão ser caçados mas não fogem ao seu destino... Há corações que são como rosas, caprichosas e cheios de espinhos e outros que são campainhas, simplórios e carentes sempre a chamar por afecto. Há corações que são como girassóis, rodando as suas paixões ao sabor do brilho e da glória e corações como batata-doce, que só crescem e se alimentam se estiverem bem guardados e escondidos debaixo da terra. Há corações que são como pianos, altivos e majestosos onde só tocam os que possuem a arte de bem seduzir. E corações como harpas, onde uma simples festa provoca uma sinfonia. Há corações incondicionais que vivem tão maravilhados em descobrir a grandeza de outros corações que às vezes se esquecem de si próprios... Há corações estrategas, que batem ao ritmo de esquemas e planos, corações transgressores que vivem para amar clandestinamente e só sabem desejar o proibido e corações conservadores, que só se entregam quando tudo é de acordo com os seus padrões e valores. Há corações a motor, que vivem só para o trabalho e corações poetas só se alimentam de sonhos e ilusões. Há corações teatrais, para quem a vida é uma comédia ou uma tragédia e corações cinéfilos que registam a beleza de cada momento em frames de paixão. Há corações duros como aço, sem arritmias, onde nada risca e faz mossa e corações de plasticina que se moldam às formas dos corações que amam. Há corações de papel, bonitos e frágeis que se amachucam facilmente e desbotam à primeira lágrima, há corações de vidro que quando se estilhaçam nunca mais se recompõem e corações de porcelana que depois de se partirem ainda sabem colar os destroços e começar de novo. Há corações orientais, espiritualizados e serenos e corações ocidentais hedonistas e ambiciosos, corações britânicos onde tudo é meticulosamente arrumado segundo costumes e convenções, latinos que batem ao som da paixão e da loucura. Há corações de uma só porta que são como grandes casas de família e outros de duas portas, uma para a sociedade e outra para a intimidade. Há corações que são como conventos, silenciosos e enclausurados e outros que são como hotéis, onde se paga o amor sem amor, escandalosos e promiscuos. Há corações parasitas, que vivem do afecto dos outros sem nada dar e corações dadores que só são felizes na entrega. Mas há ainda uma ou outra espécie de corações, os corações hospedeiros que sabem receber e fazem sentir os outros corações como se estivessem em casa, que dão e aceitam amor sem se fixarem, que tratam cada passageiro como se fosse o último, enquanto procuram o coração gémeo, sempre na esperança, secreta e nunca perdida de um dia deixarem de viajar e sossegarem para a vida."
"As Crónicas da Margarida" Margarida Rebelo Pinto
E o teu coração, de que tipo é?
O meu não sei. Por vezes acho que é como um híbrido de todos estes, outras vezes acho que a cada dia é de um tipo diferente e outras ainda, acho que é de um outro tipo. Um tipo que ainda ninguém descobriu que existe!