sábado, 23 de outubro de 2010

Não me largues nunca mais

"Quem és tu? Larga-me!

Porque é que me tiraste dali?

Deixa-me em paz, ali!

Que queres? Onde vais?

Não me deixes aqui.

Aqui há muita luz, muito som

Não me deixes aqui...

Desculpa, mas quem és?

[...]

......Quem és tu? O que queres?

Não interessa, não me largues...

Não me largues mais! Nunca mais..."*



Andas sempre um passo à minha frente.
Foges-me, por entre os dedos, como grãos de areia e eu busco por ti, como o mar busca a areia imensa da praia.
Não te conheço, sinto. E conheço esse teu corpo tão bem.
Parou tudo! Encontrei-te. Ficamos ali a olhar um para o outro como se fosse a primeira vez, depois de tantas vezes.
Não me fujas. Não me largues nunca mais...



*Sem Título by Prince Gusty

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Só para que se saiba...

...e porque existem músicas que dizem muito:

"Just because I'm losing, Doesn't mean I'm lost"

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Porque não saberia não o ter. Porque não saberia sequer existir.
É por isso que somos imortais.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Post-it #1

Quem me dera poder correr para os teus braços, como corro para baixo dos lençóis...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Odeio dias em que o céu me faz viajar até longe...

Odeio dias em que o céu me faz viajar até longe.
Odeio-os porque me levam para sítios onde eu nunca estive ou para instantes que deviam ter ficado perpetuados, para sempre...
Odeio-os porque qualquer som que a minha audição seja capaz de sentir me vão deixar ou profundamente feliz, ou esmagadoramente deprimida.
Odeio-os porque não existem sentimentos neutros.
Odeio-os porque o mundo parece cair-me aos pés e porque, justamente, aos meus pés parece abrir-se uma cratera do tamanho do mundo.
Odeio-os porque não consigo dizer nada de jeito e porque tudo o que me possam dizer vai soar-me mal.
Odeio-os porque a noite é mais fria e o dia mais quente, mesmo que o termómetro diga o contrário.
Odeio-os porque o mar fica triste comigo e porque nesses dias eu amo estupidamente o mar.
Odeio-os porque eu fico triste com o mar e porque o nesses dias o mar me ama estupidamente.
Odeio-os porque fico a morrer de tédio mas quando vem a oportunidade de fazer qualquer coisa que me tire deste estado anómico, não me apetece.
Odeio-os porque adoro a maneira como me mentem, como me fazem promessas que nunca serão cumpridas.
Odeio-os porque são a minha única verdade.
Odeio-os porque são o presente, e o presente não me basta.
Odeio-os porque a 25 de Abril continua intacta sobre o Tejo.
Odeio-os porque talvez um dia a 25 de Abril não fique mais intacta sobre o Tejo.
Odeio-os porque as distancias são cada vez mais longas.
Odeio-os porque a cada minuto que passa mais minutos me separam do meu primeiro grito.
Odeio-os porque não me deixam gritar.
Odeio-os porque os carros passam repetidamente.
Odeio-os porque o doce me parece demasiado doce.
Odeio-os porque o salgado está estranhamente insosso.
Odeio-os porque a gravidade está contra o meu cabelo.
Odeio-os porque a cabeça me doí.
Odeio-os porque os hospitais estão apinhados.
Odeio-os porque as flores não cheiram a flores.
Odeio-os porque o Zé da esquina me liga 50 vezes.
Odeio-os porque a Maria Papoila nem uma mensagem me mandou.
Odeio-os porque tenho uma família.
Odeio-os porque não tenho alguma família.
Odeio-os porque o Facebook está uma seca.
Odeio-os porque não estão no You Tube os vídeos que eu quero ver.
Odeio-os porque os aviões passam menos vezes.
Odeio-os porque os pássaros não levantam voo.
Odeio-os porque parece que não sei escrever.
Odeio-os porque não tenho ninguém com quem conversar.
Odeio-os porque apareceu alguém com quem conversar e agora não sei o que conversar.
Odeio-os porque não sei cantar.
Odeio-os porque não sei dançar.
Odeio-os porque nunca ninguém me deu uma estrela.
Odeio-os porque não existem estrelas.
Odeio-os porque os filmes não passam disso.
Odeio-os porque ninguém quer ver filmes giros.
Odeio-os porque não tenho um gato.
Odeio-os porque não me apetece fazer nada.
Odeio-os porque o azul parece-me mais claro e o vermelho menos vivo.
Odeio-os porque as pessoas parecem vivas, mas sem vida.
Odeio-os porque a televisão não dá nada que preste.
Odeio-os porque na rádio passam sempre as mesmas músicas.
Odeio-os porque os auto-carros nunca andam no horário certo.
Odeio-os porque nunca vi os Radiohead.
Odeio-os porque as pedras estão espalhadas.
Odeio-os porque tenho a carteira cheia de papeis.
Odeio-os porque a minha agenda está cheia de acontecimentos parvos.
Odeio-os porque não há pão de azeitonas.
Odeio-os porque não sei como acabar os post's.
Odeio-os porque tenho que acabar este post e não me apetece.

Hoje o céu está estranho.
Hoje o céu faz-me viajar até muito longe.

sábado, 2 de outubro de 2010

"Tento Saber"

Tento saber como é que vai ser, se posso viver sem ti
Tento fugir mas eu só penso, na hora em que estás aqui
Tu nunca vens e quando apareces, finges que não há nada
Deixas-me só sempre a pensar, que chegamos ao fim da estrada

Pode parecer que sou livre, mas eu estou preso a ti
Às vezes disfarço e não consigo
Mas eu só penso na hora em que estás aqui

Ligas para mim, eu vou até ai, depois dizes que não podes
Prometo que não te quero ver mais, até que tu não me largues
Não vejo ninguém vou por ai, deixo passar as horas
Chamo-te nomes grito contigo, e tu dizes que me adoras

Pode parecer que sou livre mas eu estou preso a ti
Às vezes disfarço e não consigo
e eu só penso na hora em que estás aqui

Tento manter a calma às vezes, parece que não te ligo
Pode parecer até que te esqueço, mas só quero estar contigo
Tento dizer adeus e tu deixas, sempre uma porta aberta
Tento esconder e fujo para noite, acordo de uma directa

Pode parecer que sou livre, mas eu estou preso a ti
Às vezes disfarço e não consigo
Mas eu só penso na hora em que estás aqui


[Tento saber - Nuno Guerreiro]