sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bernardo

Já conheci, por aí, muitos Bernardos. Daqueles que nos emprestam o casaco, dos que nos abrigam da chuva e sentem o frio para nos proteger, dos que nos agarram pela cintura e encostam a testa, dos que nos fazer sorrir e dar muitas gargalhadas, dos que nos mexem no cabelo, dos que sabem ter conversas intermináveis sobre nada de especial, dos que sabem cantar, dos que sabem o que queremos mesmo antes de nós mesmas o sabermos, dos que nos fazem corar, dos que nos percebem com um único olhar, dos que nos sabem ler nas entrelinhas, dos que metem conversa em lugares estranhos, dos que não falam porque são tímidos, dos que estão sempre lá para nos aturar, dos que nos sabem agradar.
Um Bernardo é só por si tudo isto e mais um bocadinho. Um Bernardo é tão idílico, platónico e petrarquista que não se sabe possuidor de características nefastas.
Acontece, porém, que os Bernardos estão em vias de extinção. São, portanto, um achado e quando encontramos o Bernardo da nossa vida há que agarrar o bicho e defende-lo com unhas e dentes.

Eu tive a sorte de conhecer muitos Bernardos, mas existe um, o menos Bernardo de todos eles, que se destaca para mim. Não pelas características Bernardistas, mas justamente pelo defeito na posse destas. Não é o Bernardo perfeito, mas é o menos irreal.
De qualquer modo, continua a ser platónico este meu Bernardo, porque quando mais próxima estou dele, mais afastados estão os nossos caminhos.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

E agora?

Quando, algures no início de 2005, o meu pai leu um texto escrito por mim para um qualquer trabalho de escola, disse que eu daria uma boa jornalista. Pouco tempo depois, expressou que era de sua vontade que eu continuasse os estudos no ensino superior.
Estava eu no inicio do 10º ano e a minha vida ganhou um propósito: Licenciar-me, muito mais pela vontade do meu pai, que pela minha.
Pois bem, passaram-se alguns anos e eu estou a terminar a licenciatura em sociologia, a terminar o meu estágio numa empresa de recursos humanos, na área de formação profissional e, o grande propósito da minha vida está, também, a chegar ao fim.
Agora estou num grande impasse. O que fazer agora?
Volto para a minha casa?
Fico por cá?
Procuro trabalho onde?
Sei fazer o quê?
Quero fazer o quê?
Que novo propósito vai ter a minha vida?
O que fazer agora?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pedaço de sorriso do Alvim

Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.

Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?


Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é difícil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.

[Essa coisa de gostar de alguém - Fernando Alvim]


Permitam-me que partilhe este pedaço de sorriso!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Desculpem lá se...

...eu não gosto de palhaços!
Não gosto e não tenho nenhum motivo. Não gosto e acabou a conversa.
Provavelmente é porque apesar de parecerem felizes, de fazerem os outros felizes, de sorrirem constantemente, de fazerem os outros sorrir (como na imagem), os associo SEMPRE a coisas menos simpáticas, a perdas e a uma profunda amargura de quem está preso à personagem e não pode ser a pessoa.

sábado, 30 de julho de 2011

domingo, 5 de junho de 2011

Finalista.

Aproxima-se a passos largos o fim de mais um ano lectivo. Acontece que este não é apenas mais um. Este é o ano em que sou finalista. Este é o ano em que fico licenciada. Este é o ano que marca o fim de uma tão amada vida académica. Este é o ano que marca o ínicio de uma nova etapa da minha vida.

Há nos simbolismos acadámicos a tradição de se benzerem as fitas e isso acontecerá daqui a exactamente 20 dias.
É, para isso, preciso que sejam entregues fitas aos amigos, professores e familiares que nos são mais queridos e sejam também recolhidas para que no dia da benção estejam expostas na nossa pasta de finalista como se de medalhas se tratassem. É, também, costume que seja escrita por nós uma dessas fitas para que seja depois queimada, em memória da efémera vida académica que está prestes a definhar mesmo na nossa frente.

Decidi, pois, que esta será a semana destinada à queima da minha fita. Gostaria que ela fica-se perpetuada em algum local que não a minha memória, e este parece-me bem!
Fica, então, aqui aquela que estará no final da semana reduzida a cinzas:

"Citando Francisco Otaviano em seu poema «Ilusões da Vida»:

«Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida... não viveu!»

Ao cabo de três anos de uma luta por mim mesma espero que depois da tempestade, seja a vez da bonança e que o horizonte não muito longínquo me traga aquilo que quero, e que na verdade não é muito mais do que aquilo que tive até aqui: força para me erguer, para não ceder, para não desistir quando os ferimentos de uma batalha começam a ser demasiado duras; persistência para continuar a correr pelos meus sonhos e lutar uma luta que cada vez mais se afigura maior.
Destes três anos ficam todos aqueles que pelas suas formas, maneirismos e pensamentos me conquistaram, ficam os momentos que com eles passei e tudo o que aprendi com eles.
A todos eles desejo tudo o que para mim também desejo!
Aos outros, que me apoiaram e ampararam nestes dias de loucura, fica o meu mais profundo agradecimento!

SOU DE VOCÊS!

A mim...
A nós, aos que gostam de nós e o resto...
...que se F#)@!»

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nota mental

Se existem dias* em que eu chego a casa, depois de 4 horas e estágio + 4:30 horas de aulas + 3 horas de trabalho + 2 a 2:30 horas que perco em transportes, completamente exausta?

Existem! E é nesses dias em que me apetece ser uma criancinha muito "piquinininha"...


[Kids - MGMT]


*Por vezes, em vez de dias, são mesmo semanas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Um dia vais ser meu.

[Ford Mustang GT500 Shelby]


Tem calma bebé. Um dia vais ser meu.
Isso é "fatal como o destino".

sábado, 21 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Não há almoços grátis"

Existe, desde que o Homem é Homem, uma dura e forte negociação entre este ser e os seus semelhantes. Cada uma dessas negociações consiste num pedido e na satisfação do mesmo tendo como troca a paga na mesma moeda. No seu conjunto, deram origem ao mais internacional Banco: o BANCO DE FAVORES.
Mexe com a vida das pessoas e faz o mundo girar. Faz mortos, dá prazer, traz poder...Tanto dá como tira. Nunca sabemos o real valor das transacções que realizamos, ainda que tenhamos consciência de que cada movimento de conta tem um valor diferente. Nunca sabemos, na realidade, quando temos as nossas dívidas saldadas e qual é o nosso saldo corrente, sabemos apenas a quem devemos e, claro está quem nos deve. Quem já nos pagou tudo o que tinha a pagar, quem nos vai pagando aos bochechos e quem sua as estupinhas, mas nem por sombras está perto de quitar as dívidas.

Na sua obra "O Zahir" Paulo Coelho explica como ninguém o que eu almejo que compreendam:


O que é banco de favores?

- Você sabe. Todo ser humano conhece.

- Pode ser, mas ainda não consegui entender o que está dizendo.

- Foi mencionado em um livro de um escritor americano. É o banco mais

poderoso do mundo. Está presente em todas as áreas.

- Venho de um país sem tradição literária. Não poderia fazer favor para

ninguém.

- Isso não tem a menor importância. Posso lhe dar um exemplo: eu sei que

você é alguém que vai crescer, terá muita influência um dia. Eu sei porque já fui

como você, ambicioso, independente, honesto. Hoje estou sem a energia que

tinha antes, mas pretendo ajudá-lo porque não posso ou não quero ficar parado,

não sonho com a aposentadoria, sonho com esta luta interessante que é a vida, o

poder, a glória.

“Começo a fazer depósitos na sua conta – estes depósitos não são em

dinheiro, mas em contactos. Apresento você a tal e tal pessoa, facilito certas

negociações – desde que sejam lícitas. Você sabe que está me devendo alguma

coisa, embora eu jamais cobre nada.”

- E um dia…

- Exatamente. Um dia, lhe peço algo, você pode dizer não, mas sabe que

está me devendo. Fará o que peço, eu continuarei ajudando, os outros saberão

que você é uma pessoa leal, farão depósitos em sua conta – sempre contactos,

porque este mundo é feito de contactos, e nada mais. Também lhe pedirão algo

algum dia, você irá respeitar e apoiar quem o ajudou, com o passar do tempo terá

sua teia espalhada por todo o mundo, conhecerá todos que precisa conhecer, e

sua influência crescerá cada vez mais.

- Ou então me recuso a fazer o que você me pediu.

- Claro. O Banco de Favores é um investimento de risco, como qualquer

outro banco. Você se recusa a fazer o favor que lhe pedi, achando que o ajudei

porque você merecia, você é o máximo, todos nós temos obrigação de reconhecer

seu talento. Bem, eu agradeço, peço a outra pessoa onde fiz depósitos em sua

conta, mas a partir deste momento todo mundo sabe, sem que seja preciso dizer

nada, que você não merece confiança.

“Pode crescer até a metade, mas não crescerá tudo que pretende. Em um

dado momento, sua vida começa a declinar, você chegou à metade e não chegou

até o final, está meio contente e meio triste, não é nem um homem frustrado nem

um homem realizado. Não é frio nem quente, você é morno e, como diz algum

evangelista em algum livro sagrado, coisas mornas não afetam o paladar.”

Bem tudo isto para vos explicar que sempre pensei nunca estar envolvida neste jogo de interesses. Nunca pensei estar enredada neste Banco e que a minha conta nunca tivesse sido aberta. Hoje apercebi-me de que já nascemos envoltos neste sistema e que o volume das minhas dívidas ultrapassa em muito o saldo que alguma vez poderei ter tido em conta...


sábado, 9 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

O segredo

Hoje vou acabar com o mistério das Tridente Mega Mystery...

(então e a avestruz não aparece?!)

Pois bem meus caros, esta espécie rara e, espero eu, em vias de extinção sabe a laranja... podre.
E pronto, acabo de prestar um serviço público.
Estão avisados e agora só gastam o vosso dinheiro nessa porcaria se quiserem.


segunda-feira, 28 de março de 2011

O rapaz de casaco azul

São 8:12 da manhã de um dia tão normal como qualquer outro.
Vou no autocarro que me leva à primeira manhã de trabalho desta semana, não sem antes me roubar três quartos de hora, sentada a ouvir música, a ver passar os transeuntes desta cidade que às segundas de manhã se torna menos simpática, pelo menos para mim.
Ele entrou, mais ou menos a meio do percurso, sentou-se no lugar que impreterivelmente se reserva a ele quase sempre: o lugar exactamente à minha frente. Vem com um ar cansado e menos simpático - parece que a segunda -feira também o afectou - mas mantem-se a intensidade naqueles dois olhos que parecem um poço sem fim de amargura.
Gosto de observar as pessoas. Gosto mais de pensar que estou a fazer um estudo sociológico, em vez de estar apenas a satisfazer a minha voraz curiosidade que não se cala se não lhe faço a vontade. Observo-o repetidamente, tal como o fiz em todos os dias da semana passada e quase desde o inicio do mês...
Trás o mesmo casaco azul de sempre. Está cabisbaixo e pressiona as alças da mochila como quem quer descarregar toda a energia negativa que acumulou ao longo destes (23/24??) anos. Que raio! Quem havia de merecer tão malfadada vida? É praticamente um miúdo e já parece que carrega uma cruz do tamanho do mundo. Não é...não me parece justo...
Chegou ao fim da sua viagem. Despede-se com um piscar de olhos e sai. Não sei sequer o seu nome. Nunca trocamos uma palavra, mas não interessa, porque ambos sabemos que nos vamos encontrar amanhã, no mesmo sítio, à mesma hora.

sábado, 8 de janeiro de 2011

BSO 2010

Meus caros:

Antes de mais quero desejar-vos um super ano de 2011 (eu sei, eu sei que é super irritante ter que levar com o " Bom ano!" durante Janero inteiro, mas ainda não tive oportunidade de o fazer).

Como habitual os culpados do costume juntaram-se para fazer a Banda sonora do ano que nos deixou e, como também já se está a tornar habitual, somos agora menos. "Poucos mas bons".

Portanto o musicol dedicado a esta criança que vos escreve é:

1. André Gouveia: For All Time - Michael Jackson
2. André Moreno: I'm Like a Bird - Nelly Furtado
3. João Ferrão (Jonas): Good Vibrations - Beach Boys
4. Mariana Magisse: Fragil - Sting
5. Marta Gouveia: Unwritten - Natasha Bedingfield
6. Rafael Martins (Rafa): Isn't She Lovely - Stevie Wonder
7. Samuel Leal: The Cave- Munford Sons
8. Tânia Conceição: End of the road - Boyz II Man


E é isso. Muito obrigada a todos.