segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pedaço de sorriso do Alvim

Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.

Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?


Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é difícil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.

[Essa coisa de gostar de alguém - Fernando Alvim]


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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Desculpem lá se...

...eu não gosto de palhaços!
Não gosto e não tenho nenhum motivo. Não gosto e acabou a conversa.
Provavelmente é porque apesar de parecerem felizes, de fazerem os outros felizes, de sorrirem constantemente, de fazerem os outros sorrir (como na imagem), os associo SEMPRE a coisas menos simpáticas, a perdas e a uma profunda amargura de quem está preso à personagem e não pode ser a pessoa.

domingo, 5 de junho de 2011

Finalista.

Aproxima-se a passos largos o fim de mais um ano lectivo. Acontece que este não é apenas mais um. Este é o ano em que sou finalista. Este é o ano em que fico licenciada. Este é o ano que marca o fim de uma tão amada vida académica. Este é o ano que marca o ínicio de uma nova etapa da minha vida.

Há nos simbolismos acadámicos a tradição de se benzerem as fitas e isso acontecerá daqui a exactamente 20 dias.
É, para isso, preciso que sejam entregues fitas aos amigos, professores e familiares que nos são mais queridos e sejam também recolhidas para que no dia da benção estejam expostas na nossa pasta de finalista como se de medalhas se tratassem. É, também, costume que seja escrita por nós uma dessas fitas para que seja depois queimada, em memória da efémera vida académica que está prestes a definhar mesmo na nossa frente.

Decidi, pois, que esta será a semana destinada à queima da minha fita. Gostaria que ela fica-se perpetuada em algum local que não a minha memória, e este parece-me bem!
Fica, então, aqui aquela que estará no final da semana reduzida a cinzas:

"Citando Francisco Otaviano em seu poema «Ilusões da Vida»:

«‎Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida... não viveu!»

Ao cabo de três anos de uma luta por mim mesma espero que depois da tempestade, seja a vez da bonança e que o horizonte não muito longínquo me traga aquilo que quero, e que na verdade não é muito mais do que aquilo que tive até aqui: força para me erguer, para não ceder, para não desistir quando os ferimentos de uma batalha começam a ser demasiado duras; persistência para continuar a correr pelos meus sonhos e lutar uma luta que cada vez mais se afigura maior.
Destes três anos ficam todos aqueles que pelas suas formas, maneirismos e pensamentos me conquistaram, ficam os momentos que com eles passei e tudo o que aprendi com eles.
A todos eles desejo tudo o que para mim também desejo!
Aos outros, que me apoiaram e ampararam nestes dias de loucura, fica o meu mais profundo agradecimento!

SOU DE VOCÊS!

A mim...
A nós, aos que gostam de nós e o resto...
...que se F#)@!»

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nota mental

Se existem dias* em que eu chego a casa, depois de 4 horas e estágio + 4:30 horas de aulas + 3 horas de trabalho + 2 a 2:30 horas que perco em transportes, completamente exausta?

Existem! E é nesses dias em que me apetece ser uma criancinha muito "piquinininha"...


[Kids - MGMT]


*Por vezes, em vez de dias, são mesmo semanas.